memórias

Quatro encarnações profissionais bem vividas. E uma quinta caminho...

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Costumodizer em palestras que tive quatro “encarnações profissionais.” Cada uma delascaracterizada por diferentes esforços de reinvenção, uma das marcas maisdistintivas da minha carreira.

Na primeira,de seis anos, vivida entre 1986 e 1991, exerci posições de jornalismo nasrevistas Playboy e Placar, e nos Jornais da Tarde e Folha de São Paulo, nosquais fui repórter, redator e editor de Arte, Cultura, Política e Esportes. NaFolha de S. Paulo, uma escola de vida, experimentei a implantação do Manual deRedação.

Ao todo,entrevistei mais de 300 pessoas das mais diferentes áreas de atuação, entreatores, cantores, atletas, escritores, cineastas e diretores de teatro.  Formei-me na arte da conversa jornalística queseria uma habilidade em outros momentos da minha vida profissional.

Fiz críticade teatro na revista Vogue. Fui crítico de produção cultural infantil na Folhada Tarde, tema em que acabei por me especializar na Universidade de São Paulo. Encerreiuma breve carreira jornalística, no auge dela, por desejar ampliar estudos eempreender orientado pela ideia de trabalhar com causas.

De toda essaexperiência com o jornalismo, curta mas intensa, restou uma única frustração:não ter tirado fotos com todos os entrevistados. Teria hoje um álbum incrível,talvez uma exposição, para dividir com filha, neto e amigos.

Na segundaencarnação profissional, de apenas dois anos (1992-1993), tive a minha primeirae única, breve e marcante, experiência em administração pública. A convite deum mentor, ex-professor de faculdade, assumi, por total idealismo, a gestão daCidade da Criança e do Conjunto Vera Cruz (polo de produção de cinema nos anos1940-1960), com o firme propósito de revitalizar equipamentos que fizeram parteda minha infância na cidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo.

Missão dada, missão cumprida. Tornei-me, por consequência, um especialista em lazer eturismo, também pela Universidade de São Paulo—não sem antes visitar — e medivertir em — alguns dos melhores parques do mundo.  

Na terceiraencarnação, já como empreendedor, entre 1994 e 2003, e na condição de consultordo SENAC-SP, dediquei-me a construir o primeiro centro de referência emformação de profissionais para o Terceiro Setor brasileiro. Organizei á época omais importante fórum de discussão do tema no Brasil, desenvolvi campanhas deapoio à educação para jovens em situação de primeiro emprego, concebi diversosprogramas de educação e ajudei a formar mais de 35 mil líderes de organizaçõessociais no país em ferramentas de gestão como planejamento, comunicação,avaliação e captação de recursos.

Trabalheicomo se não houvesse amanhã. Com energia. Com alegria. E com profundo senso demissão.

Na mesmaépoca, participei da criação da Associação Brasileira de Captadores deRecursos. E atuei em investimento social privado, tendo colaborado para acriação, o planejamento e o replanejamento de institutos e fundaçõesempresariais. Organizei o livro Terceiro Setor: Planejamento & Gestão(SENAC-SP, 2004). Elaborei o Guia de Gestão para o Terceiro Setor, da FundaçãoAbrinq (1997). Editei os cadernos do Fórum Permanente do Terceiro Setor(Senac-SP, 1995-2002), do qual fui fundador e coordenador.  

Fiz amigospara uma vida toda.

Um tempomágico, sem dúvida. Uma época de grandes e novas oportunidades. O TerceiroSetor estava em construção no Brasil. E eu era um jovem consultor cheio deenergia atuando numa organização com muito poder de influência.

A minha quartaencarnação profissional teve o seu início em 1998 com a criação da empresa deconsultoria Ideia Sustentável e também com mais uma reinvenção de escopo detrabalho: a responsabilidade social corporativa (RSC), conceito que dava osseus primeiros passos no Brasil, com a fundação do Instituto Ethos.

Em 2004, visando produzir conhecimento relevante sobre o tema, lancei a primeira revista especializada em tendências em RSC. Ao longo de 11 anos (mais de 30 mil páginas de conteúdo, mais de mil especialistas entrevistados, cinco prêmios recebidos),a publicação mudou de nome três vezes (Ideia Social, Ideia Socio ambiental, Ideia Sustentável) e até hoje é lembrada como referência de informação para toda uma geração de profissionais. As três alterações de nome refletiram a evolução do conceito no Brasil. Acompanharam, por sua vez, a evolução da prática da consultoria: da responsabilidade social corporativa (mais focada na dimensão social) para a sustentabilidade corporativa (incorporando a dimensão ambiental) e, mais recentemente, para o ESG (com a adição da governança.)

Em 2008, criei uma metodologia própria para desenvolver estratégia de sustentabilidade em empresas. E ela me acompanhou ao longo de uma década e meia.

De 1998 a2023, transcorreram 25 anos intensos de dedicação á construção dasustentabilidade empresarial no Brasil. O balanço diz tudo sobre a minha carreira.Entre as mais de 350 empresas atendidas incluem-se algumas das mais importantesorganizações brasileiras, como Natura, Petrobrás, Lojas Renner, Bayer, CVCCorp, Weg, Accor, Votorantim, Tramontina, Alcoa, Vale, Suzano, Bradesco,Ultragaz, TV Globo, Itaipu, Baterias Moura, BRF Foods, Elera EnergiasRenováveis, AES Brasil, Equatorial Energia, C&A, Cielo, Claro, Fiat,Schneider Electric, Unimed Brasil, Federações de Indústria, SESCs, SENACs,Sicredi, Sescoop.

Realizeimais de 2.000 palestras e workshops, tendo atuado em todos os estados doBrasil. Gosto de dizer, com enorme gratidão à vida, que a minha atividadeprofissional me proporcionou conhecer diferentes grupos de pessoas em todo opaís, chegando a lugares que certamente não chegaria fosse eu um trabalhadorconvencional.

Também melevou a ensinar pessoas, algo que nunca foi um projeto de vida. Mas que setransformou em propósito.

Fuiprofessor convidado de Sustentabilidade Corporativa da Fundação Dom Cabral, da FundaçãoGetúlio Vargas, da FIA Business, da Aberje, do ISAE Business e da SustentareBusiness.

Em 2022,convidado pela (FAAP) Fundação Armando Alvares Penteado (SP), aceitei criar,desenvolver conteúdos e coordenar o primeiro programa de pós-graduação em ESGdesta importante instituição educacional, denominado ESG, Liderança e Inovação.“Depois de 15 anos dando aulas em escolas de negócio, decidi que era hora deconceber um programa no qual acreditasse, com trilha inteligente, projetopedagógico contemporâneo, um dream team de professores e ênfase emliderança humanizada e inovação”, disse Voltolini no lançamento do programa emmarço de 2023.

Em 2011, lanceio meu primeiro livro sobre sustentabilidade corporativa, “Conversas com LíderesSustentáveis” (SENAC-SP). Á época colunista no jornal de negócios GazetaMercantil, entrevistei mais de 50 líderes, selecionei 10 importantes CEOsconsagrados no tema e tracei o primeiro perfil deste tipo de liderança,desenvolvendo o conceito das 4 Competências Atitudinais de uma LiderançaSustentável.

Do livronasceu a Plataforma Liderança Com Valores, movimento que já realizou 16 grandeseventos, gerou 70 encontros presenciais, impactou 70 mil líderes, e formou omais importante acervo audiovisual com vídeo-palestras de 260 líderes (CEOs eexecutivos de sustentabilidade), que já foram vistas por mais de 3 milhões depessoas.

Em 14 anosde atuação, entrevistei pessoalmente mais de 500 líderes e escrevi 11 livros eguias, entre os quais Escolas de Líderes Sustentáveis (Elsevier,2014), Sustentabilidadecomo Fonte de Inovação (Ideia Sustentável,2015), Sustentabilidade noCoração da Estratégia (Ideia Sustentável), 10 Desafios de Sustentabilidadepara RHs” (ABRH-Brasil/2017) e, mais recentemente, “Vamos falar de ESG?Provocações de um Pioneiro em Sustentabilidade Empresarial” (Voo, 2022.)

Cofundadordo movimento Todos pela Educação, ex-consultor da TV Cultura e TV Globo, ex-colunistade ESG das revistas Época Negócios (Globo) e Istoé Dinheiro, ex-membro doComitê de ESG da Iguá Saneamento e da AES Brasil, sou conselheiro da Wiimove, doCentro Sebrae de Sustentabilidade, da Associação Brasileira de Profissionais deSustentabilidade, do Museu Planeta Água e da Virada Sustentável. Desde 2017, soudiretor de Liderança e Sustentabilidade da Associação Brasileira de RecursosHumanos (ABRH-Brasil), sendo responsável, entre outros projetos, pelo fórumanual ESG para RHs.

Em 2025,iniciei a minha quinta encarnação profissional. Mas ainda é cedo para falardela. Os novos capítulos ainda estão por acontecer.

Para iniciarum novo ciclo, encerrei uma empresa de consultoria com mais de três décadas deatuação. No auge dela. No auge de minha capacidade intelectual. No início de ummovimento interior de busca de verdade, autoconhecimento e expansão daconsciência. Apenas para ter a liberdade (um sentimento relevante para mim) depoder me dedicar a projetos que nunca puderam ser empreendidos por falta detempo. E a iniciativas que—imagino—venham a fazer a diferença para o meu país epara a humanidade.

Sonho emfortalecer um legado de ideias e ações. Para a sustentabilidade.

A PlataformaLiderança com Valores também fechou o seu ciclo.

No seulugar, fundei o movimento Marcas que se Importam, para identificar, reunir econtar as histórias de marcas (empresas e organizações) que se importam –deverdade-- com os grandes temas de sustentabilidade do século 21. Ativei amentoria de líderes em sustentabilidade. Acionei a chave da produção literária,retomando uma atividade pós-adolescente de escrever para crianças. Segui firmee convicto na minha trilha de compartilhamento de conhecimentos.

Transformei-merecentemente em embaixador dos Inner Development Goals (IDGs) no Brasil paradisseminar os objetivos de desenvolvimento interior, porque acredito, deverdade, que a solução para as crises que vivemos no mundo passa pela formaçãode líderes melhores, capazes de conectar a dimensões doser-pensar-relacionar-se-cooperar-agir.

Quandoperguntado sobre o que ainda falta realizar em minha carreira, respondo: “Hámuito por se fazer na construção de um novo estágio de consciência sobresustentabilidade nas empresas e na sociedade. Enquanto tiver energia, vou seguirconstruindo sonhos novos e antigos.”

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