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As Cooperativas e o Protagonismo em Tempos de Esg

Cooperativas têm princípios alinhados à sustentabilidade, mas precisam agir na prática. Podem liderar pelo exemplo: desenvolvendo comunidades, incentivando economia de baixo carbono e disseminando cultura sustentável.

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Por
Ricardo Voltolini
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15.05.2026
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10 min
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Há pelo menos uma década trabalhando com cooperativas, principalmente as de crédito, tenho ouvido com alguma frequência entre os seus líderes que suas organizações não precisam fazer muito para ser sustentáveis porque já nasceram sustentáveis.

A tese se baseia na constatação de que, ao contrário das empresas, cooperativas são regidas por princípios (principalmente gestão democrática, adesão voluntária e livre participação econômica dos membros, intercooperação e interesse pela comunidade) muito afinados com o conceito de sustentabilidade.

É verdade. Os princípios do cooperativismo casam perfeitamente com os de sustentabilidade. Mas é exagero afirmar que uma organização é sustentável por decreto, por vocação, apenas por causa de sua base original de valores.

A sustentabilidade exige ação e compromissos práticos. Precisa estar na estratégia de negócios e no relacionamento com as suas partes interessadas. Requer transformar propósito em produtos e serviços.

Com a ascensão do conceito de ESG (temas ambientais, sociais e de governança), e a maior valorização de negócios mais transparentes e melhores para a sociedade e o planeta, essa ideia só tem ganhado força e profundidade. E esta é uma tendência que veio para ficar.

Vou dar o exemplo das cooperativas de crédito, com as quais tenho trabalhado mais sustentabilidade. Ninguém duvida de que, diferentemente dos bancos, elas são mais inclusivas, mais empáticas, mais próximas e muito mais preocupadas em converter negócios em vetor para o desenvolvimento local de pessoas e comunidades.

Pensando sob a perspectiva dos grandes compromissos públicos de ESG, uma cooperativa de crédito pode fazer mais diferença para o mundo se incorporar às suas atividades diárias quatro grandes pontos:

(1)​ Difundir a prática cooperativista como modelo de gestão incentivando o surgimento de cooperativas focadas em soluções sustentáveis, como, por exemplo, energias renováveis, gestão de resíduos e uso de recursos naturais. Uma aliança de cooperativas atuando em sinergia certamente alcançará melhores resultados para a sociedade e o planeta. (2)​ Desenvolver comunidades não só por meio da expansão do crédito (sim, o negócio em si das cooperativas é parte da solução e não do problema, encontra-se no lado bom da força) mas também pelo investimento em projetos socioambientais relevantes, entre os quais os de educação financeira. Um dos ativos mais importantes das cooperativas de crédito, além do patrimônio financeiro do conjunto dos cooperados, é o seu capital de relacionamento. (3)​ Incentivar os cooperados, por meio de estratégias e modelos, a reduzirem emissões de gases de efeito estufa, a adotarem tecnologias mais limpas e, por tabela, a fomentarem negócios com maior impacto positivo. Este é um tipo de atuação que os investidores vêm cobrando das empresas. No caso das cooperativas, é uma missão identificada com princípios. (4)​ Disseminar uma cultura de sustentabilidade entre os cooperados, oferecendo soluções financeiras que estimulem maior adesão a uma economia de baixo carbono. Cooperativas têm vocação para o protagonismo e a liderança pelo exemplo. Não poderia ser diferente em relação aos grandes temas de ESG.