
Diversidade e inclusão nas empresas é um campo de conhecimento em construção e há muito a avançar. A intenção do Guia é ser um estímulo para quem quer começar a dar os primeiros passos nessa jornada de respeito e valorização das diferenças. É, também, ser um apoio a quem deseja iniciar ou aprimorar processos de desenvolvimento de uma cultura de diversidade e inclusão.
Segundo Ricardo Voltolini, a publicação está dividida em uma introdução e duas partes. “A introdução apresenta o conceito de diversidade (Riqueza que mora nas diferenças) segundo alguns de seus grandes temas, como identidade de gênero, etnia, orientação sexual, idade, religião, nacionalidade, deficiência, entre outros aspectos. E também alguns de seus desafios contemporâneos, na visão de autores que se debruçaram sobre o tema; entre eles, Edgar Morin e Boaventura de Sousa Santos”, conta Voltolini.
O Guia propõe uma contextualização, expondo o incômodo quadro de sub-representação de grupos minorizados, como mulheres, negros e pessoas com deficiência nas empresas brasileiras.
A Parte 1 do Guia reúne os sete desafios de implantação e gestão da diversidade e inclusão nas empresas.
O Guia Diversidade para Empresas & Boas Práticas se destaca por entregar uma abordagem sobre diversidade que permite ao leitor transitar por uma metodologia que vai da imersão em conteúdo conceitual amplo, sustentado por pesquisas que são referenciais de excelência em seus segmentos, à inferência e construção de posicionamentos.
Jorgete Lemos, diretora de diversidade da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH)
O Guia conta ainda com quatro depoimentos exclusivos de líderes de empresas consagradas no tema: Henrique Braun (Coca-Cola Brasil), Paula Bellizia (Microsoft) e Fabio Coelho (Google). “É nosso dever ressaltar que este Guia não tem a pretensão de cobrir o amplo repertório de tópicos nem de esgotar assunto tão vasto quanto o da diversidade e inclusão nas empresas”, escreve Voltolini.
Estamos muito atentos também aos recados que a empresa dá para os públicos interno e externo. Nos últimos anos, as pessoas começaram a ver a diversidade representada nos nossos porta-vozes. Desenvolvemos internamente nossa gente em vez de trazer profissionais do mercado para compor um determinado quadro de representatividade. Nós investimos dentro de casa. Isso fez com que o discurso fosse genuíno e inspirasse os colaboradores no tema, porque fazemos o que pregamos. Quem circula pelos corredores da empresa percebe esse clima. Aliás, há um intercâmbio muito grande de profissionais de vários países aqui. E se alguém não fala bem o idioma, preferimos chamar um tradutor para uma reunião, por exemplo, do que correr o risco de aquela pessoa não exercer o máximo do seu potencial por conta da barreira da língua. Sem problema nenhum. E é muito fácil notar como as barreiras caem quando você não julga o seu interlocutor.
Henrique Braun, presidente da Coca-Cola Brasil
Temos aprendido na nossa incursão pelo tema da diversidade algumas lições importantes. A primeira delas é uma máxima fundamental: ninguém sabe o que não sabe. Isso quer dizer que quem não é afrodescendente não tem como compreender o significado exato de ser afrodescendente, de estudar onde a maioria dessas pessoas estudou, de sofrer os preconceitos que elas sofreram, de passar por suas experiências. Então, ter a diversidade representada na empresa é a única maneira de trazer para a organização o background dos mais variados públicos-alvo da companhia. Outra lição fundamental está na compreensão de que pessoas iguais geram ideias iguais. A diversidade estimula a criatividade, que, por sua vez, produz inovação. E sendo a Microsoft uma empresa da indústria de tecnologia e inovação, se ela não promover internamente a representação da sociedade em que está inserida, enquanto outras companhias avançam no tema, nosso quadro atual se transforma em desvantagem competitiva.
Paula Bellizia, CEO da Microsoft Brasil