
No dia 27 de junho de 2026, lancei os três primeiros livros da coleção infantojuvenil Heróis e Heroínas da Floresta (Editora Voo). Para muitos, a iniciativa causou surpresa. Afinal, criar obras para o público infantil pode parecer distante da minha trajetória dedicada aos temas adultos de sustentabilidade.
No entanto, este não é um fato inédito na minha vida. Em 1985, ainda estudante de Jornalismo, publiquei o livro infantil “Quem meteu o dedo no bolo do Cuca” — na época, por pura diversão. Depois disso, a carreira, os negócios e a rotina me afastaram desse universo.
Até que, há três anos, a história mudou. Minha filha, Giulia, mostrou ao meu neto um exemplar sobrevivente daquele livrinho de quatro décadas atrás: capa amarelada, páginas soltas e marcas do tempo. Lorenzo, então, me desafiou: “Por que você não escreve um livro para criança enquanto eu ainda sou criança?”
Desafio de neto não se recusa — especialmente de um menino que ama histórias e é filho de uma educadora que também ama histórias. A provocação virou missão.
Rapidamente, tracei o plano de voo dessa nova viagem literária. O projeto precisava unir três elementos: o tema da sustentabilidade (a pregação de toda a minha vida), o “Lolo” como personagem e a inspiração em heróis de carne e osso que defendem a natureza e a humanidade.
Passei a vida compartilhando a trajetória de líderes sustentáveis consagrados pelo mercado corporativo. Agora, decidi contar as histórias de líderes sustentáveis validados por outra força: os deuses da floresta. Não são biografias rígidas, mas narrativas livremente adaptadas, baseadas em vidas reais guiadas por verdade, fervor e propósito.
Escolhi Marina Silva, Olímpio Guajajara e Dorothy Stang para iniciar a coleção. Suas jornadas são incrivelmente inspiradoras. Acredito que, ao serem lidas por crianças curiosas — como eu fui e como o Lorenzo é hoje —, essas páginas vão despertar mais do que o amor pela preservação. Vão plantar o desejo de se tornarem, como define Edgar Morin, “cidadãos planetários”, parte de uma mesma “comunidade de destino” na nossa “Terra-pátria”.
Os direitos autorais serão doados ao projeto Amazônia Viva, da Economia de Comunhão.
Compartilhe algumas informações.
Ricardo entrará em contato para entender o contexto e avaliar como pode contribuir.
Sempre que sento para elaborar conteúdos sobre liderança para a sustentabilidade, percebo o quanto o mercado ainda se prende a planilhas, metas, métricas e cifrões. Fala-se muito sobre navegar na atmosfera corporativa ou expandir a esfera de influência das empresas. No entanto, o que sempre me inspirou nos bastidores foi a Humanosfera: o lado vivo dessa engrenagem. O lugar onde pulsa o coração das organizações, onde os líderes se humanizam e as marcas ganham alma.

Depois de anos dando aulas em diferentes escolas de negócios, percebi um padrão incômodo: o mercado está inundado de profissionais que aprendem sobre sustentabilidade como se ela fosse exclusivamente um checklist burocrático de ações.

Em 2021, transformei mais de duas décadas de experiência em um novo projeto: a Escola ESG. Idealizei esse serviço como uma universidade aberta para o mundo empresarial. O objetivo foi reunir e consolidar todas as ações de educação corporativa que desenvolvi ao longo dos anos na Ideia Sustentável. Meu propósito com a Escola é acolher e capacitar profissionais de diferentes setores, preparando-os para liderar transformações reais nos pilares ambiental (E), social (S) e de governança (G).

Em 2020, como diretor de sustentabilidade da ABRH Brasil, idealizei acriação do Fórum ESG para RHs. O objetivo central era posicionar oprofissional de Recursos Humanos como protagonista e principal agente detransformação da agenda ESG (Ambiental, Social e Governança), integrando essesconceitos de forma transversal à cultura corporativa e à gestão de pessoas.

Em 2016, a convite de Fernando Alves, diretor-executivo da Rede Cidadã, assumi a missão de elaborar os conteúdos sobre liderança sustentável e inspirar os educadores do programa Jovem Aprendiz Sustentável. Tenho um orgulho imenso desse projeto — ainda mais porque ele continua firme, forte e em crescimento, formando milhares de jovens todos os anos.

Educar para a sustentabilidade é um desafio tão grande que, às vezes, parece tarefa para super-heróis. Inspirado, de forma bem-humorada, em uma espécie de “Liga da Justiça” do setor, decidi criar, em 2024, uma rede de superespecialistas capazes de traduzir saberes complexos sobre questões ambientais, sociais e de governança corporativa em soluções simples e aplicáveis.

Em 2025, a Plataforma Liderança com Valores concluiu seu ciclo. Em seu lugar, nasceu o Marcas que se Importam, um novo estágio na minha missão de promover uma liderança e um modelo de negócios mais sintonizados com os desafios do século 21.

Fundei a Plataforma Liderança com Valores (PLV) em 2011, logo após o lançamento do meu livro “Conversas com Líderes Sustentáveis” (Editora Senac São Paulo). O projeto, que originalmente previa apenas um ciclo de seminários em cinco capitais brasileiras, superou as expectativas e transformou-se em um movimento inédito no país.
